terça-feira, 22 de outubro de 2013

O ESTILETE ASSASSINO

Pois é, o livro já o li durante o verão, até para o emprestar a uma parceira do Clube de Leitura. Mas, dados os últimos acontecimentos, não compareci à reunião - pela primeira vez em mais de 6 anos. Sei no entanto que Alice Munro foi a escritora sugerida para uma próxima sessão, mas não me parece que uma contista propicie grande discussão...

Este título de Ken Follett liga o género policial ao de espionagem, já que a ação decorre durante a II Guerra Mundial. O enredo parte de um facto verídico: em 1944, as comunicações britânicas referiam um imenso exército "estacionado" a sul de Inglaterra. Tratava-se de um embuste, um cenário criado com tábuas e materiais velhos, de forma a enganar a força aérea alemã sobre o potencial bélico inglês e dar a falsa ideia que o ataque se daria em Pas de Calais e não na Normandia, como veio a acontecer a 6 de junho de 1944. A partir daí a história é de ficção, se bem que os líderes políticos e militares sejam identificados pelos seus nomes e características, para dar o devido enquadramento histórico ao enredo.

Henry Faber é o espião alemão que atua na zona de Londres, escapando sempre às malhas dos serviços de contra-espionagem britânicos, que nem suspeitam da sua existência. Utiliza vários disfarces e liquida sumariamente quem se interponha no seu caminho. E só quando 5 elementos de uma patrulha próxima da zona interdita é assassinada, o MI6 deteta a sua presença. E descobre que quatro anos matou a senhoria da casa onde estava alojado, disfarçando o crime como sexual. Começa a caça ao homem! Desconfiamos que o seguimento é ainda mais sangrento, quando ele mata outro militar e, já na posse de provas que podem dar outro rumo à guerra, vai parar a uma ilha onde apenas vivem quatro pessoas: um velho pastor, um ex-piloto da RAF que perdeu as pernas num acidente, Lisa, a mal amada mulher dele e o filho de ambos, apenas com 3 anos de idade. Aí a leitura ganha um ritmo alucinante, por vezes a suscitar a dúvida "porque é que uma ilha com uma localização tão importante como aquela  não tem lá um militarzinho para amostra?" Não é que o experiente espião germânico não o "limpasse" à mesma, mas pelo menos sempre dava ideia que as elites militares britânicas não eram "ingénuas" de todo...

Mesmo assim, um livro empolgante, ao longo das suas 383 páginas!

Citações:
"Os estrangeiros têm espiões: a Grã-Bretanha tem o Military Inteligence. Como se o eufemismo não fosse suficiente, a denominação foi abreviada para MI."

"Tom deitou chá forte em três canecas e juntou um cálice de uísque a cada uma. Os três homens sentaram-se e beberam-no em silêncio, David a fumar um cigarro e Tom o cachimbo, e Faber teve a certeza que os outros dois passavam muito tempo juntos desta maneira, a fumar, a aquecer as mãos e sem dizer nada." 

22 comentários:

  1. Agora estou a ler A Arte da Guerra de Tsun Tzu.
    Denso.
    Beijocas!!

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    1. É, PEDRO, com um título desses deve ser bem denso... ;)

      Beijocas!

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  2. O último do meu Clube de Leitura foi "O Grande Gatsby" e tive que mandar a minha opinião por mail!
    Estar agora a viver em Lisboa e com um clube em Leiria à 5ª feira, uma vez por mês, não me dá jeito nenhum!
    Ainda não li nada da laureada nem conheço este de que falas!

    Abraço

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    1. Ora aí está um livro que gostava de ler e nunca tive oportunidade, ROSA! Ora, mas pode calhar que noutras alturas estejas por lá, acho sempre que merece a pena, até mais pelo convívio... :)

      Quanto à laureada, parece que estamos todas a zero, nunca lemos nada dela. Por mim, até gosto de contos... :)

      Abraço

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  3. Ando com vontade de ler um livro dele, porque yenho ouvido bastantes elogios.....mas vai ter que esperar, rrss

    Beijinhos, linda

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    1. Estes não são os livros mais conhecidos dele, "Os Pilar4es da Terra", que não sei ao certo quantos volumes são, SÃO! Mas não me está a apetecer ler mais trilogias ou assim este ano...

      Beijocas!

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  4. li o "noite sobre as águas" e gostei do autor neste estilo :)

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    1. Esse também foi o primeiro que li, TÉTISQ! :)

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  5. Ando a ler o livro que me ofereceu um aluno, de uma escritora que nem conhecia, a Lucy Dillon. Publiquei um post a 5 de Outubro, quando o recebi. É levemente lamechas mas nos tempos que correm, porque não? Ainda vou a meio.
    beijinho
    .

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    1. Também não conheço essa escritora, MARIA DO SOL. E também não tenho nada contra uma lamechice ou ou outra, de vez em quando. Na verdade, se não lermos (ou começarmos a ler novos autores), não podemos dizer se gostamos ou não... :)

      Beijocas!

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  6. Nunca li nada seu. Prioridades.:)

    Um gde beijinho e boas leituras

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    1. E até em leituras encontras outras mais prioritárias, NINA! :)

      Beijinhos!

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  7. "O Inverno do Mundo" continua na estante à espera que eu o leia.
    O maior problema da obra do Ken Follett é, na minha opinião, é o número de páginas: 1022 em "O Inverno do Mundo"

    Também vamos falar dos contos da Alice Munro no Círculo Literário, mas em Janeiro de 2014.
    Os contos da última Nobel são verdadeiras obras-primas.

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    1. Pois, essa é outra das razões que não me apetece pegar agora nos seus livros em vários volumes, EMATEJOCA: demasiadas páginas!

      Quanto à escritora canadiana, está na calha! :)

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  8. Ainda não li nem Ken Follet nem Alice Munro. Mas, em geral, gosto de contos.

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    1. Também não tenho nada contra contos, LUISA, mas em Portugal as editoras não apostam muito no género... :)

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  9. Este ainda não li.
    Continuo a ler John Grisham. Já vou no terceiro livro. Fiz um interregno no “Palácio de Inverno” sobre a Catarina da Rússia ou a Grande e depois de ter já acabado o livro de Alice Munro que estava a ler - “O Amor de Uma Boa Mulher” que levantei da biblioteca. Não tive que esperar muito pois tinha-o requisitado antes de ela ter recebido o prémio Nobel. Anteontem requisitei mais três e agora, sim, estou numa lista de espera bastante longa!
    Continuação de boas leituras, Teté!

    Fui ver que livros tinha de Ken Follett e um deles é “Night over water”. Já leste. Em tempos comecei a lê-lo mas nunca o acabei.
    TB TE ACONTECE NÃO TE LEMBRARES DOS LIVROS QUE TENS?

    NÃO CONSIGO VER-ME LIVRE DESTAS LETRAS MAÍSCULAS! ESTOU A NECESSITAR DE OUTRO TECLADO, PELOS VISTOS! : )

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    1. Pois olha, CATARINA, aqui também correu o boato que os livros da escritora canadiana tinham esgotado, mas desconfio que não passavam disso. Ou então repuseram os stock rapidamente, pois há livros para entrega em 24 horas... :)

      Foi o primeiro livro que li de Follett e gostei. Mas também já sabes que às vezes é uma questão de "mood"...

      Confesso que tenho alguma dificuldade em decorar títulos de políciais, especialmente de autores que já li vários livros. Convenhamos que a maior parte dos títulos não é muito original... :)

      Enquanto for só teclado, ainda é o menos! ;)

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  10. Ainda não li e eis que é uma bela sugestão.
    :-)

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    1. Follett é considerado pouco literário, KÁTIA, mas compensa com enredos que não largas até à última página... :)

      Beijocas!

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Sorri! Estás a ser filmad@ e lid@ atentamente... :)